quinta-feira, maio 21, 2009

Sobre a subjetividade do tempo e a unidade de medida $

A noção de tempo é completamente subjetiva.
Ele foi inventado como unidade de medida para nossas tarefas. Acontece que hoje vivemos com duas unidades de medidas básicas: tempo e dinheiro. Como tempo é dinheiro, a unidade de medida é uma só: o cifrão $$.
Acabamos, assim, por monetizar todos os nossos valores.
Tudo que pensamos, convertemos para tempo ou dinheiro para avaliar o valor.
Mas são tantas as nossas preocupações, que não sobra tempo para ganhar dinheiro. Não sobra dinheiro para ganhar tempo.
Talvez a melhor coisa a se fazer seja simplesmente respirar.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Flamengo leva balão de Ronaldo

O Flamengo, visivelmente magoado e ressentido, acusa Ronaldo Fenômeno de tramar em segredo seus planos e partir sem dizer adeus. Pudera! Uma união estável tão bonita já estava estabelecida: muito carinho e cuidado de um lado, juras de amor eterno do outro. 

Ronaldo insiste em negar sua traição, considerada por muitos pior que a da mulher do prefeito na novela das oito. Defende seu casamento com seu amante de São Paulo com unhas e dentes. Diz que não aguentava mais as promessas de casamento do Flamengo. "Aliança no dedo que é bom, nada", lamenta. 

Há quem diga que o péssimo relacionamento do Flamengo com a agora ex-sogra, Dona Nike, foi fundamental para a decisão de Ronaldo. Sua mãe parece se entender muito bem com o Corinthians, enquanto o Flamengo parece querer vê-la pelas costas. 

O novo cônjuge do Fenômeno pula de alegrias e convida a sociedade para a cerimômia. À boca miúda corre nos bastidores que a nova relação dura, no máximo, um ano. Dizem que o Corinthians não vai suportar a fama de Ronaldo, que ficará inseguro com relação à sua fidelidade, afinal, seu passado recente o condena. 

Ainda abalado, o Flamengo fala em Adriano. Porém, o medo de uma nova decepção amorosa faz com ande pisando em ovos. 

terça-feira, novembro 04, 2008

Inglês assalta brasileiro em São Paulo

SÃO PAULO - O brasileiro Felipe Massa teve seu Título Mundial de Fórmula 1 roubado neste domingo, dia 2/11. O assalto aconteceu na região de Interlagos, num dia atípico de trânsito livre em São Paulo. O assaltante, um alemão identificado apenas como Timo, dirigia um Toyota e usava uma pistola Glock, segundo testemunhas.

A polícia suspeita que Timo agia a mando de um inglês conhecido como Lewis Hamilton. No momento do crime, testemunhas entraram em contato com o 190 para reportar o assalto. Contaram que viram o alemão indo ao encontro de Hamilton, que dirigia um Mercedes, para entregar-lhe o Título. "Foi incrível a frieza dos dois. Na entrega da mercadoria, ainda tiveram coragem de trogar um abraço", relatou uma testemunha que não quis se identificar. A desconfiança sobre o inglês Hamilton é a de que tenha encomendado o assalto em troca de favorecimentos ao alemão, dado o seu poder de influência. 

A investigação não poderá ser levada adiante e o caso será arquivado, pois Felipe Massa não quis registrar queixa.

quinta-feira, outubro 30, 2008

punidos por São Judas Tadeu

A união estável entre Flamengo e São Judas Tadeu sofreu um abalo. Parece que o Santo resolveu punir a equipe por antecipar (e mudar de local) em um dia as tradicionais preces a São Judas Tadeu. Tudo por causa da viagem para jogar na Bahia.
Como a maioria das pessoas, o Santo não gosta de ter seu "aniversário" antecipado.
Resultado: o Flamengo conseguiu as realizar o impossível, mas não da melhor maneira. A quantidade de gol perdidos foi incrível e o empate com o Vitória, na Bahia, impediu que o time encostasse no lider.
Ocupando a quinta colocação, a três pontos do líder e a seis rodadas do final do campeonato, o momento é de fazer as pazes com São Judas e pedir que ele faça plantão até o natal.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Dinheiro nasce em árvore

Ao contrario do que costumam apregoar, Dinheiro nasce, sim, em árvore. Porém, seu cultivo é muito difícil. Se em sua plantação tiver apenas árvores de Dinheiro, com certeza ele não vai crescer.

Dá trabalho, é preciso plantar muitas coisas em volta para que se obtenham frutos. Qualidade, Confiança, Perseverança, Esperança e Respeito são algumas das árvores que devem acompanhar as de Dinheiro.
As pessoas gostam muito do Dinheiro. Gostam tanto que começaram a procurar uma forma dele render mais do que normalmente renderia. Surgiu então uma espécie híbrida de Dinheiro, conhecida como Dinheiro Fácil. Apesar de parecer igualzinho ao Dinheiro de antes, o novo não possui os mesmos nutrientes e valores.
O Dinheiro Fácil pode ser plantado em sistemas de monocultura. E os frutos crescem rápido, às vezes no mesmo dia. Para isso, é preciso usar o agrotóxico Especulação, uma forma de fazer a terra acreditar que Dinheiro Fácil é fonte de nutrientes futuros.
O Dinheiro Fácil se transformou em uma erva daninha que todo mundo quer. Apesar de não ter sabor, causa dependência. Ao corpo humano, causa dificuldades de absorção de Honestidade, Comprometimento, Fidelidade e Caráter.
Quando muita gente planta do Dinheiro Fácil, a agricultura entra em crise, pois os outros cultivos ficam deficientes. A colheita do Dinheiro Fácil também é prejudicada. Os produtores deste fruto, agora portadores de doenças como Ganância e Desonestidade, tentam convencer o mundo a usar seu Dinheiro para financiar o Dinheiro Fácil.
A droga ainda não foi proibida. Quase não há clínicas de recuperação para viciados. O mundo clama pela proibição deste entorpecente.

quarta-feira, outubro 22, 2008

A vida é melhor ali?

O Metrô Rio praticamente "envelopou" suas estações (veja foto abaixo) para anunciar as "maravilhas" do Cartão Pré-Pago.
Avisam com letras garrafais que o cartão unitário tem validade de apenas dois dias além do da compra. E que o pré-pago tem validade ilimitada.
Nas entrelinhas: "se você insistir em usar o unitário será castigado! Além de enfrentar fila, sua passagem expira!".
Assim, no lugar de criarem campanhas de incentivos, como descontos, recarga automática, "viaje à vontade no final de semana", estabeleceram a união estável com seus passageiros/clientes/vítimas com base no que podemos chamar de marketing de punição, através de ameaças. O usuário que não quiser ser punido, usa o serviço novo.
Não inventaram um serviço vantajoso, apenas montaram uma armadilha para obrigar as pessoas a fugirem dela. Como se já não bastassem os trens superlotados que temos de enfentar todos os dias.

terça-feira, outubro 21, 2008

Entre o abismo e o precipício

O quadro desenhado para o segundo turno das eleições municipais do Rio de Janeiro se alinha muito bem à ironia-chave deste blog. Qual a posição de cada candidato? De que partido são? De que partido foram? Eleitores, partidos políticos e candidatos derrotados se vêem diante de um paradoxo difícil de ser compreendido.
De um lado, representando a base governista, Eduardo Paes com suas inúmeras trocas de partido – PV, PSDB, PFL, PTB, PFL de novo, PSDB e PMDB – e mudanças de comportamento. Se um dia ataca Lula, no outro é só elogios. Claro, não pode deixar de ter o apoio do presidente, dada sua imensa popularidade.
Do outro, aliado ao PSDB e ao DEM (antigo PFL), o candidato do PV (e da classe artística), Fernando Gabeira. A imagem romântica de militante contra a ditadura militar e defensor da descriminalização das drogas se confunde com a de um político das elites, fianciado pelo neoliberal Armínio Fraga.
O primeiro, com trajetória política de centro-direita, é representante da centro-esquerda, enquanto o segundo fez exatamente o caminho inverso, saindo da centro-esquerda para representar a centro-direita. Resumo da ópera: o eleitor de esquerda não se sente confiante para votar em Paes; o eleitor de direita, da mesma forma, não fica à vontade para votar em Gabeira. O mesmo pode ser dito das correntes políticas que, entre o abismo e o precipício, esperam a ordem que vem de cima para seguir um caminho.Os personagens do segundo turno carioca não têm papel definido. Num ambiente tão pasteurizado, cabe aos eleitores a difícil tarefa de diferenciar o que parece ser seis do que parece ser meia dúzia para votar com confiança de que está fazendo a escolha certa.